de “gotham city” a campos do jordão

(quase 230 km rumo a “jordan fields”, como um certo almofadinha, ex-prefeitop, poderia dizer…)

trupe-crop.jpg

no dia dos anacreontes (12/10), a ruma de destemidos retardados da foto acima (a ordem dos adjetivos é irrelevante, já que nada muda o fato de que uma empreitada como essa é coisa de quem não bate lá muito bem da cabeça) resolveu encarar praticamente 230 km para terminar se imolando em singelos 20 km de montanha.

é bem verdade que a única montanha visitada no dia não era tão dura, mas havemos de convir que subi-la tendo mais de 190 km nas costas e com aquele sol gostosinho #sqn das 15h muda por completo o tom. a ideia inicial era fazer as duas subidas, as serras nova e velha até “Jordan Fields”, mas o tempo perdido em algumas paradas inviabilizou a proposta. (a subida da serra velha me foi apresentada em 2009, quando da realização da 9a edição da copa vo2/caloi. lógico que eu já não me lembrava dela, e também não foi dessa vez que pude refrescar minha memória – que jeito maravilhoso de fazer isso, não? sobe, miserável!)

o organizador do evento tem um senso muito torto, ou de distância, ou de tempo, muito provavelmente dos dois. resta saber se isso é intencional ou não – particularmente, duvido muito que não seja intencional, como pudemos notar no pedal para guararema: o convite dizia que a distância seria de 165 km, e aí a subseqüente pergunta: COMO, se um bate-volta até mogi das cruzes – que fica antes de guararema – já batia na casa dos 170? pegadinha do mallandro, né!? resultado: 220 km nas costas, nessa ocasião. mas divagações à parte… marginais (pinheiros, tietê), ayrton senna e carvalho pinto (ainda verei quem foi esse dito cujo) e inúmeros, infindos, intermináveis quilômetros nessa última rodovia, e 3 furos de pneu também. chato pacas… rolou uma esmorecida monstra por conta disso.

“rodo/vida” que segue, quilometragem que aumenta, e com ela o cansaço. e nada de o primeiro “PC” (posto de controle: pra quem faz os BRMs [brevet randonneur mondiaux], eles são verdadeiros oásis) chegar. aqui é que entra a tal falta de noção ou sadismo desmedido do acima mencionado: 1a parada com 120 km. POR QUÊ? acho que caberia um ato de rebeldia, e com isso uma parada no graal, na casa dos 95 km, pois só assim a parada seguinte – no olá – faria sentido. mais “legal”, pra não dizer o extremo oposto, era a placa cretina – pelo menos para quem está de camelo na rodovia: frango assado a 17 minutos! aí você faz as contas e tem aquele choque de realidade: ainda tem uma hora e blau e uns 30 km e tanto de chão até chegar ao posto! :( putz! o_O

com uns 50 ou 60 km, tive meus 1os dois furos do dia. até aí, ok, a não ser pelo fato de que o 2o furo se deu uns 2 minutos depois do primeiro. duas pausas que totalizaram uns 35 minutos, por aí. aliás, queria registrar (e agradecer) a gentileza do cidadão que ficou lá me acompanhando, afinal ele não tinha qualquer obrigação de fazê-lo.

pedala, pedala, pedala… e nisso nós vamos encontrando os outros retardados da empreitada. um também teve dois furos, e eu posso dizer que naquela hora eu fiquei um tanto mais “tranquilo”, mas sem esconder um quê de preocupação, posto que as duas câmaras que eu havia levado já tinham tido uso, ou seja, só dispunha dos remendos. mais adiante, a miragem do frango assado se transforma em algo real, e no que me incitam a ultrapassar meu companheiro de furada, percebo a bicicleta ficando cada vez mais pesada – de novo. resultado: outro furo. o 3o – e último – do dia. vários minutos perdidos tentando remendar a porcaria da câmara. dois remendos e muita paciência perdidos. finda que não consigo comer, desisto de tentar arrumar as coisas, peço duas câmaras para um dos birutas que também foi pro evento, faço a devida troca, compro água, isotônico – nesse meio tempo o povo parte -, e sigo meu rumo – talvez essa música reflita em parte parte o processo…

aos poucos eu, na minha saga solitária por uns bons 20 e tantos km, percebo que o tempo passa – e a distância percorrida aumenta -, mas meu gps insiste em me dizer algo diferente disso. na volta do nogueira o aparelho também apresentou o mesmo comportamento patológico (essa expressão era muito utilizada por um prof. de física 3 que tive na UnB… acho-a divertida), mas nessa 2a ocasião eu preferi tomar uma saída mais inteligente: o famoso popo procedure: power-off, power-on. bueno.. não foi o que ocorreu na ida para “jordan fields”, e quando eu enfim confirmo o problema, desmonto, arrumo o sensor no estaio de corrente, e voilá. (tentei aplicar meus conhecimentos de programação para tentar alterar o csv e recuperar o intervalo registrado de forma precária, mas tal esforço se provaria inútil mais adiante, posto que em vários segundos a posição [latitude/longitude] não se alterou.)

aos poucos a patota – minha idade terá sido entregue depois dessa haha! – foi se reencontrando, de modo tal que do posto olá em diante mais da metade do grupo seguiu junto. o último “PC” seria um restaurante chamado “castelão”. castelo fantasma, dado que ele estava fechado. não se sabia se há muito ou apenas no feriado. de um jeito ou de outro, mais um petardo do organizador do evento… oh la la… o ponto escolhido para parada foi uma experiência no mínimo singular. singularmente lenta e atrapalhada. se eu não tivesse apressado a moça que me atendeu, acho que eu estaria esperando meu misto quente até hoje. e o que dizer da dificuldade em trazer uma garrafa de tubaína (legítima!)?? +_+

mas.. lembra-se da previsão do tempo? aquela que dizia que o mundo iria cair, e que findaria por melar a chegada a “jordan fields”? pois que ela foi um tiro muito pela culatra, e le soleil foi nosso fiel companheiro desde o acesso a guararema. uns 70 km de muito sol no coco, e claro: #ventoinfinito e contra. nota: que derrota ver o povo se amontoando para descer para ubatuba… eu fico com um pouco de pena das pessoas que moram aqui e tentam fugir da cidade nos feriados, ficando presas em quilométricos engarrafamentos, e complicando a vida dos residentes dos balneários. (mas esse sentimento não dura muito mais do que um par de minutos.)

rotatória. tremembé, roseira/aparecida, CdJ. ‘ride’ to the hills!, porque era o que nos restava: os 20 km de subida. sol. SOL. SOL DO CACETE! e que início de subida miserável! um falso plano muito do mequetrefe, mas que não permitia uma velocidade maior do que 15 km/h. “how freaking come???” não entendi chongas, mas o negócio era só subir. e subir. e subir. e subir. e subir mais um pouco. e depois de cansar, subir um cadim mais. após a 1a galeria, uns 3 desocupados – naquele momento eles eram os ponteiros – tentavam, inutilmente pelo que vi de longe, tirar “água da pedra”. haha! era uma bica, mas o fluxo estava tão fraco, que essa empresa me parecia fadada ao fracasso. “vou seguindo.” e a cabeça latejava, por causa do sol. o pulso ainda pulsa, mas é ruim quando você o sente na cabeça inteira – parecendo enxaqueca. mas de repente, não mais que de repente, essa sensação se vai, e a coisa melhora e a subida passa a render. 15 minutos, água. 30-45 minutos, açúcar. mais 15 minutos, água, outros 30-45 minutos, mais açúcar. comentei dias atrás com mi novia que minhas compras são muito engraçadas: lotes de coisas açucaradas. paçoca, bananinha, barra disso e daquilo… uma criança adoraria invadir minha despensa.

em raros momentos eu conseguia subir um pouco mais a velocidade, com trechos acima de 20 km/h, e um pico de 31 km/h – e pensar que os pros fariam essa subida na metade (ou menos!) do meu tempo… esses caras são ridículos! o trecho marcado – posto policial/mirante vista chinesa – ficou dentro do que eu esperava. óbvio que se o pedal tivesse começado nas imediações de tremembé, o tempo seria pelo menos uns 15-20 minutos mais baixo. olha aí o resultado:

cdj.png

confesso que fiquei contente, o que também significa dizer que o registro que ando fazendo das minhas atividades, baseando-o em RPE (rate of perceived effort) – além do método TRIMP (Training Impulse) – está me levando a uma melhor somatognosia. (em uma de minhas desventuras pela aldeia da serra, pude notar de forma clara que meu tempo naquela ocasião ficara bem abaixo de minha melhor marca até aquele dia – hoje já superada, e rumo aos 18 minutos!)

abaixo, o trajeto e a prova do crime cometido pelo garmin. dado que ciclistas são uma categoria que requer tratamentos psicológicos intensos, o que me resta dizer é: que venha a próxima! (eu sou retardado… +_+)

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volta do nogueira

domingo. 2 e tanto da madrugada. véspera de pedal e o relógio biológico todo avariado. braço na janela e garoa rolando. esmorecida. asfalto molhado e uma fraquejada ainda maior. a rotina usual: café, comida para o trajeto, água, “fantasia” de ciclista.

dado o pouco tráfego dos carros no horário (~5:30), era fato que o asfalto seguiria molhado por algum tempo. eis que vejo um rosto familiar em uma colnago verde. encontramos o resto do grupo e vamos ao 2o PE, topar com o idealizador do roteiro. esse sr. nogueira é um brincalhão… +_+

marginal, castello, aldeia da serra, estr. ecoturística do suru, castello, km 48 e aquelas rampas gostosas #sqn até pirapora, mais rampas, um tímido estirão e enfim uma parada para um café. coca, balde de café, misto, rosca de chocolate, coca, água e uma voz uníssona: itu ficaria para outro dia.

a volta. mormaço, rampas, tira-saia, as tristezas de pirapora, os 11 km infelizes entre essa cidade e stna. de paranaíba (cabe uma explicação: ocorre uma dilatação no espaço-tempo e esses 11 k viram uns 554 km, e os 4-5 min/km de passo viram um ano/km, fora o detalhe: 7 dos 11 subindo). mais subidas até a chegada ao centro de barueri, entrada na castello, #ventoinfinito, eu morrendo afogado (pardal vs morcego), marginal, grupo quebrando, 37, 38, 39, “vou ficar de roda que tá hard!” (depois de mais de 160 km com +3000m de subida, seria uma sábia decisão, não?!), 40, 41, 42, 43… “esse cara não pára nunca?!?!?” e enfim o cabo é desenrolado, o paredão do jockey termina, e juntamente com ele a tortura dominical.

ciclista é um bicho estranho que precisa de uma investigação aprofundada. em sã consciência você sairia pra se imolar em tristezas infindas e duríssimas, e curtíssimas alegrias, com um tempo duvidoso, e ainda ansiaria por uma nova ocasião para repetir essa idiotice? pois é. nós, sim.

nas fotos, parte da intrépida trupe estropiada. o monstrinho “insensível” quebrador do povo já tinha concluído essa parte da subida (estrada ecoturística do suru) havia algum tempo. e também mais um crime cometido pelo garmin. sugestões de troca são bem-vindas. afinal, relógio que atrasa, não adianta.

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estrada dos romeiros

112 km. 5h10. 1957m.

esses são os números do evento que aconteceu no dia 24/03. um convite singelo – aliás, danke schön für die Einladung! – que partiu do grupo de ciclismo com o qual venho dividindo algumas noites em gotham city, e que particularmente me deixou bem contente, já que ele era uma espécie de “voto de confiança”.

a saga começa na 6a do dia anterior: precisava encontrar uma loja que vende produtos para marombeiros. esses lugares me dariam a certeza de que eu encontraria o que precisava: sachês de carboidratos em gel e barras de proteína – sinceramente acho que essas barras de “proteína” precisam ter seus nomes mudados, dado que a relação carbo/proteína nelas está bem longe de ser 1:1 – muito mais carbo do que o outro elemento…

mas voltando.. passo na farmácia e nada. vou ao xops e no que “seu gualda” me confirma a existência de tal loja, dirijo-me até ela e voilá: consigo resolver meu “problema”. assim, estoque refeito, era hora de voltar pra casa e acertar os detalhes restantes.

pneus inflados, roupa separada (depois da descoberta dos bretelles, nunca mais quis saber de bermudas – e ainda tem esse povo que insiste em usar roupa de ciclismo com cueca/calcinha por baixo +_×), géis de carbo, barras de proteína, protetor solar, câmera pra filmar, bomba portátil, câmara de ar, canivete multiferramenta… tudo certo. era só o caso de programar o despertador para as 4 da matina – eu não suporto acordar cedo, e única que eu falo sobre isso é: horário de índio! (nota: já faz uma era geológica que comecei a escrever esse relato, e de lá pra cá, já são incontáveis as ocasiões em que tive de dar um pontapé na bunda do galo para ele começar a cantar, para logo depois sair para andar de bicicleta, mas ainda assim, minha opinião segue imutável: HORÁRIO DE ÍNDIO DA PLEURA! fala sério!)

eis que o alarme toca, tomo meu café, faço minha rotina matinal usual (e é gozado que o horário tem pouca influência), e com o tempo avançando eu tenho de correr pra não perder minha carona. mochila nas costas, bicicleta preparada (pneus novos e calibrados, água, computadores no grau), e lá vamos nós.

no 1o. rendez-vous, as saudações usuais, e assim vamos pela ruas de gotham city, rumo a até então desconhecida cidade – para mim – de santana de parnaíba. o caminho para lá vai por uma rodovia que hoje – afinal, escrevo esse relato praticamente 8 meses depois de o evento ter se passado – me é extremamente familiar, dado que boa parte de minhas saídas ciclísticas passam pela castello branco – que se frise: nossa memória política não deve ser esquecida, já que essa figura tenebrosa fora um dos braços articuladores do golpe de 64.

chegamos ao 2o rendez-vous, e lembrando-me de steve mcqueen, o que temos ali é espera. às 7 e tanto, chega o idealizador do pedal, e minutos depois (quase 7h40, e ainda me chamam de atrasildo! humpf!) partimos. sorrateiramente aquele mote muito engraçadinho, e que a comunidade praticante do ciclismo amador deveria sempre se lembrar, começa a atuar: pardal que acompanha morcego acorda de ponta-cabeça. o ritmo inicial é razoável, mas aos poucos o grande grupo se quebra – na verdade, diria que essa quebra já era esperada: ir de mtb para a estrada dos romeiros com o intuito de acompanhar as estradeiras é seguir à risca o dito do ciclista acima mencionado. assim, houve “o cisma“, e os estradeiros abrimos (vai dizer que você não gosta de uma silepse de número? eu adoro! :D) uma razoável distância.

sobe, desce, soooobe, deeeeeesce, sobe, deeeeeesce… aí você pára e reflete: “a volta será uma dureza… +_+”, e de fato foi, mas mais sobre ela em alguns parágrafos. esse mais-desce-do-que-sobe marca o trecho entre stna. de parnaíba e pirapora do bom jesus. esse trecho tem 11 km, dos quais 7 km são de descida na ida! – registre bem esse detalhe (mais comentários sobre essa particularidade nessa postagem.)

a passagem por pirapora é marcada algumas descidinhas – você está percebendo que só estamos descendo? HAHAHAH! -, e após passarmos pelo portal dos romeiros e uma rampinha para retomar a rodovia, chegamos ao tal tira-saia. no presente sentido, o tira-saia è una discesa molto insidiosa (imagine o davide cassani falando ;)), não por sua inclinação, que nem é tão grande assim, mas por suas curvas – estou longe de ter a habilidade do fabian cancellara ou do vincenzo nibali, e aí eu lhe pergunto: monstros ou retardados? talvez os dois? hahah -, já que há uma seqüência delas em que o melhor traçado é uma linha reta, um tanto impraticável por conta do eventual tráfego no sentido oposto.

passado esse momento – que fique registrado: descidas são alegrias, e; suas antípodas, as tristezas, as subidas -, temos um falso plano aqui, outro ali, uma rampinha que não causa muita dor, uma descida que não convence muito, até que nos encontramos mais uma vez, para a 1a (longa) parada do dia: um café no mineiro, lugar bem bacana, diga-se de passagem. o cidadão aproveitou o fato de que a cidade é parte da rota dos romeiros (e dos inúmeros ciclistas que por ali rodam), e fez um esquema voltado para esse nicho: estacionamento para os camelinhos[1], tiozinho tomando conta, guloseimas – amostras, claro – na faixa… quem não gosta de mimo, né? claro que tudo isso vem “na conta”, mas vez por outra, gibt es kein Problem.

agora… da heterogeneidade do grupo surge uma “situação curiosa”: a diferença de ritmo. a conseqüência (sim, trema, porque é bom ser da base rebelde) é o tempo de espera, o que implica dizer que a discesa insidiosa da ida – na volta, una salita – seria atacada sob o sol fatalmente escaldante da tarde. (em um outro pedal, uma saga de um pouco menos de 230 km com uma montanha de 20 km de extensão no fim, a espera no primeiro “PC” foi tão grande que acabou por matar a possibilidade da programação original, que era a de fazermos 34 km de subida, ou seja, as duas serras rumo a “Jordan Fields”.)

após um café, uma coca e um pão de queijo, seguimos rumo ao portal da estrada dos romeiros, próximo a itu. parte desse trecho já era conhecido, por conta de um encontro dos foristas do knb na fazenda do chocolate – calor da peste nessa ocasião… não que no dia da saga ciclística o tempo estivesse melhor, mas estar fantasiado de astronauta de mármore piora muito as coisas. o casal convidado por um dos lunáticos fazia seu ritmo na rodovia, e eu me questionava se era uma boa segui-los ou não. o diálogo mental ia e vinha, e no fim a conclusão foi de que o melhor a se fazer era ficar de boa e adotar o “ritmo audax”: velocidade entre 20 e 25 km/h, sem forçar. afinal, ainda havia a volta.

um da intrépida trupe da ocasião desistira da empreitada em ainda cabreúva, lugar da 1a parada. mais tarde soube-se que ele havia consumido um produto que não fazia parte de sua dieta usual – um termogênico mega blaster. receita para um desastre. no ponto de retorno – o portal da estrada dos romeiros – o grupo se juntou mais uma vez, mas o pé de pano do dia havia dito que naquela hora ele já estava sofrendo absurdamente – sorte ou azar, o trecho entre itu e cabreúva é todo arborizado, o que propicia um microclima, mas sem dar muita bandeira sobre a tortura que viria logo à frente.

de volta a cabreúva. mineiro. coca. café. pão de queijo. gel do gu como extra – não tinha certeza se meu estoque daria conta dos 50 km que ainda faltavam. mais espera. pé (ou melhor, pneu) na estrada. adeus copa fechada de árvores. sol. SOL. SOL de 2 da tarde. aquele, bem gostosinho #sqn. até que chega o tira-saia. naquele momento, ele poderia ser perfeitamente renomeado para tira-vontade-de-viver, porque na boa… estava bem complicado. na volta do nogueira, eu pude notar que a subida nem era tudo isso – e longe de mim dizer que eu sou uau, que ciclista! -, mas naquele dia ela estava terrível por alguns fatores:

  • falta de treino;
  • condicionamento físico precário, e;
  • sol inclemente.

mas acabei percebendo no entanto que o fato de eu ter economizado na ida me permitiria abusar um pouco na volta – na verdade, eu só não me distanciei dos compagni di squadra por não conhecer direito os marcos do caminho de volta…

o fim do pedal se aproximava quando da visualização da triste placa “snta. de parnaíba 11 km”. e aqui trago o fato de que há três tipos de mentira: i) a mentira; ii) a mentira deslavada; iii) a estatística. essa placa por sorte se enquadra na 2a categoria, mas nem por isso ela se torna mais simpática. 11 km intermináveis sob um sol medonho, e a essa altura da leitura você não deve estar lembrado, mas eu disse ali em cima que na ida uns 7 km desse trecho seriam descendo… eis que no ciclismo tudo que desce sobe! assim sendo, a placa, que deveria ser um bálsamo de felicidade, por nos dizer que estaríamos perto do fim, acaba se transformando em puro sarcasmo, ou tripúdio.

cansaço. sobe. cansaço. sobe. íssimo, íssimo, íssimo. sobe um pouco mais. curva para a direita, gente empurrando na subida – seus frangos! tomem vergonha!, berrava eu mentalmente. última subida, já no miolo da cidade. pracinha. montarias descansando e nós – parte da trupe, a saber, os estradeiros – num misto de cansaço, prostração e dever cumprido. uma hora depois, chegava o restante do grupo. um deles estava praticamente desfalecido: branco era a cor que se via em seu rosto. enquanto ele voltava à vida, já sentado e se desfazendo de seu estado alpha, dizia-nos do choro ao chegar, uma pitada de desespero, outra de missão cumprida, e do ineditismo ao ver o computador marcando 3 dígitos na distância percorrida. parece bobo, mas os primeiros 100 km são um marco na vida de qualquer ciclista.

notas:
[1] camelo (ou camelinho) é como nós de brasília nos referimos às bicicletas. manja aquela música? “se encontraram então no parque da cidade[2] / a mônica de moto; e o eduardo, de camelo…”?
[2] parque da cidade (ou parque ana lídia, ou parque pithon farias, já que ele teve seu nome mudado uma infinidade de vezes) é uma imensa área de lazer no coração de brasília, praticamente.

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“Wir fahr’n fahr’n fahr’n…”

“… (Fahrrad!) auf der Autobahn!…”

Autobahn is a classic song by Kraftwerk. if you are into electronic music as i am and don’t know it yet, please watch the video below. ;)

and then you might be asking: “what’s the point?” the point is that i’m back to cycling. yay! :D

getting back to things i like is a long and slow process: i know i like to do that thing, but i kinda don’t feel like wanting to do it. i guess you know what i mean. it reminds the concept of procastination, with the difference that the activity isn’t something you have to do, but it’d be nice if you were into it.

that’s what happened with me and cycling. since more or less 2010 that i was off the bike, going for a ride once in a while, without that commitment of the previous two years – there was also a relationship that started that year, but this is another chapter. (2010 was also the year i developed some sort of tendinopathy in my right knee, condition that only 6 years later got diagnosed: now i have to live with this “alien” in my knee, and when it happens, NSAIDs like ibuprofen and diclofenac diethylammonium are my friends.)

so… this journal started with the motto – Man muss sich vorwärts bewegen, um das Gleichgewicht nicht zu verlieren – phrase usually attributed to a. einstein. Ich bin nicht sicher, but anyway… at the very beginning i was posting entries with bits and bytes of “science & technology” related to cycling – gone are the days i was using heart frequency and power meters: you end up becoming a “slave” of the graphs, charts, numbers, indexes… SST, CP20, LTHR, Z1-Z5, HIIT, blablabla… it is useful, but it ruins most of the fun of the activity. (it’s true that i’m really considering getting back to the garmin edge 500, for it gets the signal from the cadence sensor – and this piece of info is really useful, especially while climbing.)

it’s been 3 or 4 weeks iirc that i got back into riding – and now the bike has only a cyclo computer mounted on the handlebar. it is good not to worry about this number crunching stuff! \o/ (n.b.: i began writing this post in february. at this moment [today is 28/05] i have “clocked” something close to 3000 km – and yes: cycling is meant to use kilometers and kilos. let’s stick with the SI/MKS system, ffs.)

she has some part in this return, as she was constantly reminding me of how sedentary i became – true.dat, as the last time i had done some physical activity was back in set/16! o_O – and so on. then in some sundays we went for short rides (anything below 20 km is a short ride, don’t you agree?) through the city…


an enormous amount of water has passed under this bridge, and as i mentioned before, i’m close to the milestone of 3000 km. the city is becoming less unknown, and the most fun part is recognizing – while in daylight – the places i’ve been through during the night. another funny thing is that she makes me laugh when she gets surprised with the distance we ride within the realms of the city. you’ll get used to it, trust me. and you know what? soon you’ll be riding these distances as well. :D

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tech talk #2.1: spotify chromecast vs last.fm vs linux

a while ago i had written about a means of scrobbling our songs while using the spotify client for linux and commented in the footnotes that after some time there was some annoying delay (sometimes more than 30s).

well… the default setting for pulseaudio-dlna is encoding the songs (using lame) at 192 kbps. the delay can be reduced a bit (note: it’s a marginal gain) if you change it to 128 kbps.

$ pulseaudio-dlna --bit-rate 128 ...

it doesn’t do wonders, but diminishes the agony slightly. :P

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tech talk #4: bash and the operator “=~”

a couple of years ago i got an assignment: transforming some perl programs into shell scripts. what was supposed to be a simple script became a monster with more than 1000 lines in total.

shell scripts are meant to work like wrappers, not like programs. anyway… with that assignment i ended up discovering the beauty of built-ins (maybe a topic for the next tech talk), and the operator =~. if your’re familiar with perl, then this is not new.  however, if it’s not the case, komm mit mir, mein Freund!

when we match strings in shell, it’s quite common to use grep or expr for such tests. for a quick test, there shouldn’t be any problem at all, given the subshell that will be open won’t affect the performance of the (small) test/script nor disturb the OS.

however, when you’re every now and then making such comparisons, it would be nice to change the approach in favor of the built-ins. (if you make a more advanced use of sed, you will get the idea right away and maybe will stop using it as well.)

here’s goes the thing. instead of:

$ cat /etc/passwd | \
while read line; do
  if [[ $(echo $line | grep -E '^[[:alnum:]]{1,4}:') ]]; then
     echo match found - line: $line
  fi
done

we should write:

$ cat /etc/passwd | \
while read line; do
   if [[ $line =~ ^[[:alnum:]]{1,4}: ]]; then
     echo match found - line: $line
   fi
done

sounds way cooler, huh? obviously i’m aware of the useless use of cat, but this is just for the sake of an example. for this isolated case, it’d be better to run grep directly on the /etc/passwd file.

$ grep -E '^[[:alnum:]]{1,4}:' /etc/passwd

another nice built-in is the string replacement (i would have saved this for another tech talk, but here we go!):

$ f=foo
$ echo ${f/oo/ubar}
fubar

there is also the possibility of repeating the replacement:

$ f=foo
$ echo ${f//o/ubar}
fubarubar

there are other built-ins for strings expansions/substitutions. it is worth checking the bash’s manpage for more info. :)

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and the counting goes on…

another cumpleaños for me! yay! 😁 4.1, alive and kicking! heheh

and the motto here is the same of the introduction of “the fiddler on the roof: tradition! 😌

Mais um ano que se passa
Mais um ano sem você
Já não tenho a mesma idade
Envelheço na cidade

Essa vida é jogo rápido
Para mim ou pra você
Mais um ano que se passa
Eu não sei o que fazer

Juventude se abraça
Se une pra esquecer
Um feliz aniversário
Para mim ou pra você

Feliz aniversário
Envelheço na cidade
Feliz aniversário
Envelheço na cidade

Meus amigos, minha rua
As garotas da minha rua
Não sinto, não os tenho
Mais um ano sem você

As garotas desfilando
Os rapazes a beber
Já não tenho a mesma idade
Não pertenço a ninguém

Juventude se abraça
Se une pra esquecer
Um feliz aniversário
Para mim ou pra você

Feliz aniversário
Envelheço na cidade
Feliz aniversário
Envelheço na cidade

IRA! – Envelheço na cidade

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