intervenção militar?

(mais um raro momento em que esse canto recebe temas espinhosos como política e afins.)

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“… A intervenção militar é a solução para esse país…”

É o que vários andam comentando nos últimos tempos. Muitos partem para essa conclusão tomando como ponto de partida experiências pessoais, e aqui já surge o primeiro problema: isso é apenas uma evidência anedótica, haja vista indivíduos distintos poderem ter visões diametralmente opostas sobre um mesmo tema (contextualizo isso logo mais).

Antes de mais nada, precisamos colocar como axioma o que segue: nenhum regime de exceção é bom, seja ele de esquerda ou de direita. Supressão de direitos, restrições de liberdade de ir e vir, ou de expressão, são alguns dos problemas que todo regime ditatorial tem. Outro ponto: o que escrevo aqui é um conjunto de reflexões sobre alguns fatos históricos, e conclusões oriundas da ligação entre esses fatos e alguns eventos inseridos em um contexto político-econômico maior.

Assim, é imprescindível lançar mão de alguma numerologia – mas sem muita profundidade -, é justamente aqui que nós começamos a perceber os primeiros deslizes dos ilustres fardados. Muito se falou sobre o tal milagre econômico em fins de 60 e início dos 70. Não há contestação: alguns indicadores realmente melhoraram, e isso se vê em qualquer estudo sobre os níveis de industrialização da época. No entanto os anos subseqüentes – a saber o fim da ditadura militar – apontam para um verdadeiro fiasco: retração da economia, altos índices de inflação, redução do PIB, aumento da dívida externa, aumento da desigualdade social, posto que não houve redistribuição de renda – ricos ficando mais ricos e pobres cada vez mais pobres. Deixo aqui a pergunta: quem haveria, em sã consciência, de ter saudade de um cenário catastrófico como esse?

A argumentação dos defensores do regime militar sempre vai pela experiência pessoal, e tal como mencionei logo no início, isso de nada serve, porque aqui nós precisamos falar em termos muito mais amplos. Alguns que viveram o período trazem reminiscências de como era tranquilo andar pelas ruas, sem cogitar a possibilidade de não se voltar para casa, ou seja, a sensação de segurança era muito maior na época. Aqui eu levanto uma questão: para um indivíduo pertencente a uma classe média/alta, que muito provavelmente circula por áreas “nobres” – os famosos cartões postais das metrópoles -, essa sensação se transforma em “realidade”, mas em hipótese alguma ela vale para aquele que vive em áreas periféricas. (Particularmente, não duvido nada que já naquela época se provocavam incêndios criminosos em regiões de periferia, para se promover gentrificação.)

Outro ponto que levanto é que somente a partir da década de 70 é que nós temos uma mudança no paradigma populacional, no seguinte sentido: o êxodo rural. Na década de 60 a maioria da população vivia em áreas rurais (~56%), enquanto o restante vivia em áreas urbanas. Na década seguinte, tem-se o “shift”, e esses números passam para 40% e 60% (rural/urbana). Acredito que tal mudança se deva em virtude do “milagre econômico”, evento que acabou por atrair o camponês, achando que conseguiria melhores condições de salário e de vida na cidade. (Vale notar: na década de 70 nós éramos ~96 milhões de brasileiros. Hoje já estamos caminhando para a cifra de 208 milhões.)

É justamente nesse momento que a coisa começa a piorar: há trabalho mas não emprego. O camarada, que muito provavelmente se instala na periferia, vê no crime uma via de “crescimento”, coisa que pela via do trabalho já não lhe é mais possível. Dá-se a escalada da violência. (Aqui a gente começa a adicionar também outros ingredientes, como por exemplo o tráfico de entorpecentes e de armamentos, e o envolvimento de forças ostensivas [polícia], parlamentares e pessoas ligadas ao executivo, atuando como facilitadores desses processos.)

Façamos aqui uma reflexão rápida: se esse cenário já se dava com uma população “pequena”, imagina hoje, que temos mais de 208 milhões de habitantes. Outro agravante: tenho muita convicção de que os patamares de desigualdade social nos idos de 60 e 70 eram muito menores do que os números que temos hoje. A questão da desigualdade é em grande medida propiciada pelo sistema ecônomico vigente: um sistema que prega o consumo desenfreado e a posse de bens como salvação. Se a desigualdade é oriunda dessa lógica capitalista, é conseqüência inevitável a escalada da violência: pobre também quer comer no outback, usar tênis da nike, ter moto foda, usar óculos da oakley. Mas sem as condições sócio-econômicas e sem as oportunidades para tal, a única rota “possível” acaba sendo a do crime, e posterior subtração desses bens de outras pessoas. Se colocarmos nessa conta o que o neoliberalismo nos trouxe, como por exemplo a obliteração de qualquer projeto nacional e a primazia do indivíduo (e a individualização exacerbada) em detrimento do coletivo, é difícil imaginar que esses quadros de escalada de violência baixem no curto prazo.

Se fizermos uma busca rápida, é possível constatar que os planos de “inclusão/distribuição” de renda postos em prática em 2003 tiveram um impacto na redução das taxas de homicídio em diversas cidades do país – consequências de uma sociedade mais “igualitária” – na verdade esse programa não condiz com uma causa legítima de esquerda, mas era o que havia pro jantar: o programa original compreendia conscientização de classe, mas isso não é algo bem visto pelos “the powers that be”.

Agora a outra parte do contexto… Nossa economia sempre foi subalterna; sempre fomos colônia. Nosso mercado financeiro é um excelente termômetro disso: de meados de outubro pra cá a bolsa vem oscilando, e isso é interfência dos estrangeiros em nosso mercado. E mais: sempre que o presidente-vampiro dá uma capitulada em relação aos itens da pauta destruidora da nação, o mercado tomba. Ou seja, enquanto não conseguirem alguém com uma “mão forte”, essa indecisão vai nos acompanhar por muito tempo. (Não faz muito tempo, fomos agraciados com um pronunciamento de certo general – ele no mínimo se acha ariano raça pura: no discurso se via claramente uma apologia a uma moral protestante ascética, como se isso fosse a salvação – e como se não houvesse corrupção na terra a qual esse ser se refere… Ledo engano. A propósito, taí um lance curioso: achar-se ariano puro num país onde a dificuldade maior é de se estabelecer quem é branco puro…)

Essa pauta destruidora da nação remete ao consenso de Washington – mas esse consenso só vale pra colônias. Aí nós colocamos na conta algumas entidades como Banco Mundial, FMI, entre outros órgãos. As intenções são sempre “lindas”, mas o real motivo por trás é o endividamento de um país, pondo-o nas mãos dos “the powers that be“, forçando situações como facilitação de entrada de conglomerados transnacionais para exploração de diversos segmentos, sem que isso traga um benefício efetivo para o país. (Aqui nós enfrentamos os adeptos do estado mínimo, e o discurso usual de que o estado é corrupto, paquidérmico e ineficiente, e que apenas o deus mercado poderia nos salvar: na verdade isso daí é propaganda ideológica das mais pesadas, porque no fim das contas quem corrompe o estado é o próprio capital. É de suma importância para esse que o estado seja inoperante, pois assim aquele pode lançar seus tentáculos sobre o estado. Outro aspecto interessante: para que se tenha um estado mínimo, é crucial a interferência do estado! não é paradoxal?)

The powers that be” não têm mais interesse em golpes militares. As mais variadas experiências ao redor do mundo não foram necessariamente boas, ainda que tenham lançado as bases para modelos neoliberais nas colônias. A coisa hoje é mais “suave”: como disse Noam Chomsky, a parada é o “soft coup”. Desmantelamento do estado de bem-estar social, destruição do sindicalismo e conseqüente enfraquecimento da classe trabalhadora, lawfares, ditadura dos “homi da capa preta” (e o direito de plena defesa, garantido pela constituição?), conduções coercitivas, violações de sigilo cliente/advogado, condenações sem prova, divulgação de interceptações telefônicas entre membros do mais alto escalão – e ninguém dando a menor trela para o fato… Podemos dizer que judiciário de esquerda é como acreditar em “Pai Natal”. Já diria Pe. Quevedo: “esso non ecziste“.

Notas:

i) Os milicos de hoje não têm projeto nacional. O “entrar para arrumar a casa” significa destituir o grupo corrente, e passá-lo ao entreguista da vez.
ii) Rajoy já botou pra quebrar no que diz respeito à reforma trabalhista espanhola. O vampiro segue pelo mesmo caminho.
iii) O premiê francês vai pela mesma rota.
iv) Tá difícil… Some-se a isso a incapacidade de essa massa iletrada se informar e proclamar alexandre frota o bastião da moral e dos bons costumes. WTF????
v) Nem comentei sobre a perseguição política promovida nos anos da ditadura. Não que esse capítulo deva ser deixado de lado, mas ele remete a uma conclusão óbvia: não! Nenhum regime de exceção é uma boa!

Fontes:

Sobre o “milagre econômico”:
O milagre econômico brasileiro

Sobre a industrialização brasileira no período militar:
Produtividade e mudança estrutural na indústria brasileira

Sobre índices de violência e assuntos correlatos:
Mapa da violência
Violência, direitos civis e demografia no Brasil na década de 80: o caso da área metropolitana do Rio de Janeiro

Infográfico sobre população rural vs urbana:
Questões do ENEM (Geografia)

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tech talk #3: one-line solutions!

don’t know about you, but i simply love one-line solutions! yesterday i wrote a relatively long text about a topic that haunts us every now and then – even though the motivation of those who think a military coup would solve our problems is somehow understandable, i should say that no dictatorship of any kind is a feasible way out. (but i digress…)

so… i’ve got used to write in small caps – this dates from the very beginning of the Internet in here (circa 96). besides, at that time the utf-8 and other encoding standards were not mature as they are today – remember the ascii ribbon campaign?

the problem: how to convert every first letter of the sentences to upper case? i knew the capabilities of the command tr, which – among many other functionalities – performs this translation. however, it would fail to tackle the issue, given i had a pattern: “. [:alpha:]”.

here comes the winner! sed! you just have to prefix the pattern you want to use with the corresponding option: \L for lower case, \U for upper. then:

> cat aa
aaa. bbbbb. cccc. ddddd. eeeee.
> sed 's/\. \(.\)/\. \U\1/g' aa
aaa. Bbbbb. Cccc. Ddddd. Eeeee.

i love this shit! haha! :D

btw, drop a comment if you are aware of another way of doing it! ;)

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Spiegelsaal

(…)

Sogar die größten Stars…
leben ihr Leben im Spiegelglas

Sogar die größten Stars…
finden ihr Gesicht im Spiegelglas

(Kraftwerk – Spiegelsaal)

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música: variação vs previsibilidade

no fim da década de 80 a tv record começava suas operações em brasília. na época eu estudava pela manhã, fato esse que me propiciava então assistir a um programa de clipes chamado kliptonita nas tardes da semana – serginho caffé era o apresentador. (nota: a arte da página é horrível – parece até que o conceito de sua confecção seguia a ordem vigente, heh!)

minha preferência musical estava em formação – e o programa mencionado foi bem importante, pois lá eu tive contato com m/a/r/r/s por exemplo -, mas lembro que gostava de alguma coisa de edm e pop/rock. também me recordo – e creio já ter comentado aqui – de ter sido apresentado ao the wall, experiência curiosa para um “pré-aborrecente”. não lembro se naquela época em que eu ouvia tanto edm quanto synth pop eu já fazia a crítica que vem a seguir – é provável que sim, já que meu minúsculo acervo de fitas k7 com gravações de rádio não tinha faixas com padrões extremamente repetitivos. o fato é que esse é um aspecto muito interessante, o qual ando notando com uma certa freqüência (god [if there is any] save the umlaut!) nos tempos de hoje.

fazia tempo que eu já conhecia um portal chamado bassdrive.com – nessa página você tem uma vasta oferta de setlists de 1h de duração, com várias ramificações do drum n’ bass (liquid, jungle, neuro). mais recentemente, e aqui estamos falando provavelmente de 2015, eis que me chama a atenção uma música –  drs – the view  -, e nisso eu descubro o tal liquid funk. (dá pra dizer que o estilo é uma versão “dance” de drum n’ bass, já que boa parte das faixas tem um vocal.)

é nesse meio tempo que começo a perceber que determinadas músicas me irritam sobremaneira: a monotonia, ou seja, a pouca ou total ausência de variação na construção harmônica ou nas “texturas” – meu comentário para não gostar de belle & sebastian era (e continua sendo) de que eles são o eterno banho-maria em fogo brando, ou seja, monocórdico, monotônico, sempre aquele nhenhenhenhem que não me conduz a canto algum.

igual fenômeno ocorre em diversas faixas do estilo eletrônico, e é por essa justa razão que me enerva o trabalho do maduk, qualquer coisa do estilo neuro funk, ou ainda vários camaradas do techno/house – suas variações “minimais” me perdem com muita facilidade, já que fica a sensação de que a apreciação dessas faixas se dá por intermédio de companheiros químicos. o_O

vagando pelo youtube me deparo com uma palestrinha de um camarada, e essa palestra põe um ponto final e por conseguinte uma explicação definitiva para meu desgostar de monotonia: variação vs previsibilidade. qualquer coisa nos extremos dessa escala me desarranja, e é por essa razão que não consigo digerir direito discos como bitches brew (miles davis) e confield (autechre): a inconstância perturbadora e a impossibilidade de encontrar ordem no que se ouve, coisas que se chocam de frente com o que se percebe nas peças de bach. nessas se nota claramente a matemática da música em ação, com a progressão harmônica flertando com mediantes, dominantes, subtônicas e/ou sensíveis, criando tensão e resolução – às vezes você consegue antever o desfecho de uma modulação (como na toccata e fuga em ré menor).

assim, uma boa definição de música é: combinação de sons e ritmos de forma a balancear variação e previsibilidade. para concluir, abaixo o vídeo que me trouxe a explicação para minhas observações.

 

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tech talk #2: spotify, chromecast, lastfm and linux

so you have a chromecast on your tv, but don’t want to keep it turned on to listen to your favorite songs. the evil G came up with a neat solution: chromecast audio. with this tiny round thing you can now turn the tv off, because it will be connected to your stereo or receiver.

it’s been a while since spotify started to support these two devices (chromecast audio and video), but if you are a last.fm user (my case), you may notice that the songs you broadcast to your chromecast don’t get scrobbled. interesting – to not say the opposite – is the f*ck the developers at spotify don’t give to the innumerous complaints we can see in their forum. *sigh*

so… before upgrading to debian jessie i was using the sid/testing, and there i met a nice program called pulseaudio-dlna. to my surprise, it had support to chromecasts, and with that option available, i was able to scrobble the songs i played on spotify’s desktop client. you have to install the program and configure it according to the names you use on your chromecast devices. below is the magic.

– installation & configuration

# apt-get install pulseaudio-dlna
$ pulseaudio-dlna --create-device-config

– restart pulseaudio daemon (here it’s not in system mode, and this step is no longer needed, once it’s configured), and run the program.

$ pulseaudio --kill; pulseaudio --start --log-target=syslog
$ pulseaudio-dlna --filter-device 'name of your cast device'

– it’s quite likely that you have pavucontrol installed, once you run pulseaudio (if not, install it using apt-get). then open pavucontrol and choose the output device corresponding to your chromecast:

$ pavucontrol

– run spotify client and be happy again! :D

$ spotify &

notes:
i) the computer client is scrobbling your songs, so you have to have a {desk,lap}top or equivalent.
ii) you are still able to use spotify on your phone, but as a controller, as you have have to tell the mobile client that the other program is the one that’s playing the songs.

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tech stuff – debian stretch vs spotify #1

for starters: a hug mess happened and i had to reinstall debian on my laptop. i guess it’s the first time i did a fresh install due to an unlucky upgrade/dist-upgrade. couldn’t identify who caused the mess, but after so many changes in the sources.list, i couldn’t go back to jessie nor proceed to stretch (and to be honest, having tried sid just made things way worse haha!).

so… spotify for linux requires you to add their repository to the configuration. easy task:

# echo deb http://repository.spotify.com stable non-free > /etc/apt/sources.list.d/spotify.list
# apt-key adv --keyserver hkp://pool.sks-keyservers.net --recv-keys BBEBDCB318AD50EC6865090613B00F1FD2C19886
# apt-get update && apt-get install spotify-client

however… it complained about the absence of libssl1, which was present in the previous debian’s version (jessie).  along with this library, complaints about missing libavcodec54* were also seen. i changed the version of spotify’s repository to unstable first, but to no avail. then i changed it to testing, and installed libssl1 by hand:

# sed -i 's/unstable/testing/' /etc/apt/sources.list.d/spotify.list
# dpkg -i libssl1.0.0_1.0.1t-1+deb8u6_amd64.deb

after that, ran again

# apt-get update && apt-get install spotify-client

and voila: habemus spotify again.

notes:

i) given i haven’t tried with the stable version of the client in the repository configuration, this will be left as an exercise to the reader. ;) next problem in line: cinelerra & the deb-multimedia repository…

ii) sudo is for losers. heheh :D

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this is the last time…

between the middle of may and late july i’ve ridden a bit more than 5000 km on my night rod. if we consider the amount of time, it is something perfectly doable. however, what would you say if this distance was covered in 6 days?

  • 4000 km in 4 days
  • 1000 km in a “round-trip” (let’s say you can split this in two days).

in the last 27th i was riding back home, coming from my hometown and with 200 km to go i wasn’t feeling my arms anymore. it was a very strange feeling: i could swerve and counter-steer the bike without any problem, but my arms were like numb. i knew there was a gas station at the km 125 of the road i was on and i remember i was eager to reach that station. firstly, gas – i was running out of it -, and secondly ’cause my butt was squared, haha! ~3h on a seat is too much for me to handle (on a bicycle at least you can get up a little and pedal standing up, something that is not possible on a cruiser motorcycle).

so… gas tank refilled, it was time to park the bike and go to the restaurant for a pair of cheesebreads – the ones made by graal (restaurant chain you will find in some cities in sp, rj and mg, in the main highways) are usually awesome – a café au lait and a bottle of water. coffee (and milk, given black coffee makes me feel like a “dragon”) to improve pain tolerance – and i remember i had an advil as well – and a 45 min pause in total. before resuming the ride i said to myself that “this is going to be the last time i will ride for more than 800 km in a row!” (and i wonder why the heck one decides to challenge h{im,er}self in an iron butt… +1600 km in 24 hours.. what for? i read some reports from people that have done it and nothing literally makes me willing to go for it: sleep deprivation + tons of caffeine = greater risk of crash… nah! not for me.)

so.. that’s it: no rides longer than 800 km. after 8h-10h or 800 km it’ll be time to look for a hotel/motel and call it a day.

(there is also an interesting story about running out of gas in the middle of the road and in the night, but i will save it for later…)

 

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