luzes da noite

os últimos dias têm sido um verdadeiro pé no saco, e não é necessário dizer que a vida de pedro pedreiro penseiro esperando o trem – trecho que acabou de me trazer à lembrança outra citação [(…) when you’re racing, it’s life. anything that happens before or after is just waiting.] – é uma eterna espera, uma expectativa perpétua (aliás, mais um adjetivo para a lista de adjetivos definem algumas entidades: eterno, imortal, infinito, perene, perpétuo. e eu lanço uma rápida enquete: haveria alguma incongruência entre uma pessoa ser eterna, porém mortal? penso que não, e esse seria o caso do wolverine).

ficar em casa não é produtivo, a não ser nos momentos em que me ponho a trabalhar em algumas faixas com meus aparelhos, coisa que não só me distrai como também alimenta uma certa ideia. resta saber se ela vinga ou não. mas no cômputo geral, as horas passam lentamente, como se estivesse num filme cuja projeção mostra uma captura de 2500 fps em 24… ou como me refiro àquela banda escocesa (belle & sebastian): um eterno banho-maria em fogo brando. (não tá bonito não…)

mas não faz muito tempo, me emputeci com isso de ficar em casa e resolvi sair. é verdade que fui fazer um troço super trivial – a saber, comprar comida para os dois seres felinos que coabitam esse “acampamento” -, mas o grande tchan aqui não é o simples sair de casa, mas sim o horário em que isso se dá: 00h30.

eu adoro andar pela cidade com a noite já alta – madrugada adentro. talvez seja essa minha forma de me conectar a esse lugar que há 11 anos me abriga e com quem nunca me dei bem – por pura má vontade e diversos pré-conceitos em relação a ele (mas é bom lembrar que há na cidade uma coisa que eu acho fantástica e que pra mim é total sinônimo de modernidade, ainda que a enfeiem: viadutos. a trama de viadutos que leva ora pro centro, ora para a zn, ora para nikiti quando vista de cima é um espetáculo, um arroubo).

laranja, branco, vermelho, verde, amarelo, neon, azul, 23 oC. asfalto, acelerador, freio, farol e um facho com luz para adiante. tudo isso sem aquela coisa frenética, caótica e absurdamente irritante das manhãs e tardes nossas do dia a dia nos dão hoje. e passar pelas ruas por que passei e no horário em que as visitei me traz à lembrança o que segue:

Of all I knew, her held too few.
And would you stop me, if I try to stop you.

Old songs stay ’til the end.
Sad songs remind me of friends.
And the way it is, I could leave it all
And I ask myself, would you care at all.

When I drive alone at night, I see the streetlights as fairgrounds
And I tried a hundred times to see the road signs as Day-Glo.

Old songs, stay till the end.
Sad songs, remind me of friends.
And the way it is, I could leave it all
And I ask myself, would you care at all.

sim, eu gosto de andar à noite. e minha misantropia nessas horas é senhora – porque são eles – os humanos – que põem tudo a perder.

About rennrad

It's all about two wheels, being them bicycles or motorcycles.
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2 Responses to luzes da noite

  1. Érika S. says:

    Linda postagem! Tenho um segredo pra te contar: eu adoro ver a cidade à noite também… E pelos mesmos motivos que vc! (só gostaria de não ter de me preocupar tanto com a minha segurança em alguns lugares)

    • rennrad says:

      o fato de morar onde moro não necessariamente me isenta de problemas como o que você menciona. a rua tem uma cancela e isso dá uma atenuada, mas já houve relatos de assaltos e furtos por aqui.

      e a noite é muito mais divertida no que concerne a apreciação da cidade. cores, matizes, e a não-vida na madrugada mudam tudo de cena.

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