black diamond

me ocorreu esse nome, e assim batizo minha bicicleta.

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black diamond… sexy! :D

e fazia uma eternidade que não andava de bicicleta – essa foto data de agosto do ano passado, última ocasião nos pedais. em janeiro do mesmo ano foi quando ela passou a integrar a família. soa quase absurdo que só depois de praticamente 8 meses é que ela tenha ameaçado fazer as pazes com o asfalto. sim, ameaçado, porque depois desse breve encontro ela continuou encostada na parede, acumulando poeira. (combinemos: está longe de ser um desfecho apropriado para ela… sou do princípio de que as coisas devem se despedaçar pelo uso, e não pela decrepitude.)

por conta dessa ziquizira que (ainda) me acompanha eu resolvi deixar os pedais de lado. o fato de ter entrado em um relacionamento também teve influência – quem anda de bicicleta pra valer sabe o quanto de tempo que a atividade toma, e não é qualquer um que tem estômago para encarar a rotina de alguém que abandona o aspecto lúdico da coisa para transformá-lo em uma quase obsessão – sadia, frise-se.

há quase um ano, enchi-me de razão e fui atrás de um “conserto” para esse alien que coabita meu joelho – o grifo ali em cima dá a pista de que ele continua a me assombrar -, e nisso completarei um ano de pilates dentro de um par de meses. o incômodo vez por outra aparece, quando os leg presses abusam de mim, mas o evento da semana passada me deu um ar de esperança.

havia muito que planejava isso de commute by bike, projeto que toquei por quase dois anos, quando trabalhava em um lugar que dispunha de infraestrutura para banho bem como um bicicletário. lembro que o tempo transcorrido entre tomar a decisão pela bicicleta como meio de transporte e a concretização do pensamento se assemelhou a uma eternidade. mas a coisa saiu. e devo confessar que foi muito divertido.

cogitei fazer o mesmo vários anos depois, mas a mudança do itinerário, as obras na cidade, o trânsito ainda mais agressivo, todos esses fatores me desestimularam um pouco (um monte, na verdade). havia também a questão da moto, e tenho pra mim que o advento desta botou para escanteio la pobrecita de la bici. mas nem tudo estava perdido…

o plano na realidade era usar a bicicleta como meio de transporte enquanto estava trabalhando. cheguei até a conversar com pessoas no escritório, para viabilizar a coisa, mas agora isso é parte do passado. e é aqui que entra a ligação com o parágrafo anterior: semana passada um momento de inquietude se aplacou sobre o ser que aqui escreve, e eis que me vejo resoluto – ia rolar!

espanador. poeira. poeira. poeira. chave allen. ajustes. chave allen. poeira. bomba de ar. força. poeira. espanador. poeira. mochila. câmara de ar. kit de chaves. reparos. bomba portátil. roupa para o pilates. capacete. luvas. óculos. elevador. velocímetro. pilha fraca. asfalto.

me impressiona que mesmo fazendo um trajeto a priori contraproducente eu ainda consiga chegar ao meu destino mais rápido do que se estivesse indo de carro – e uns poucos minutos a mais do que se estivesse indo de moto. (me impressiona ainda mais a mentalidade de motoristas que acham que bicicletas [ou motos] atrapalham a via, quando na verdade um veículo de duas rodas a mais no asfalto é um carro a menos para atrapalhar…)

mas o ponto aqui não era necessariamente o indiscutível fato de que hoje em dia a bicicleta é um modal muito mais rápido do que o carro, mas sim o que me levou aos pedais na semana passada.

desespero. o desespero que bate quando se olha para tudo que é lado e se vê tudo ou quase tudo indo por trilhas que não são necessariamente as melhores rotas. “não é possível. tudo errado!” não entre em pânico! – pois 42 é a resposta. o problema é que eu esqueci a toalha. é difícil não entrar em pânico… o f*da é que nem posso me dar ao luxo de tal: a condição de protagonista do meu roteiro não me permite.

e desse desespero veio a necessidade de andar de bicicleta. segui à risca o que sir arthur conan doyle escreveu:

“When the spirits are low, when the day appears dark, when work becomes monotonous, when hope hardly seems worth having, just mount a bicycle and go out for a spin down the road, without thought on anything but the ride you are taking.”

and i did it. exactly like that. e é sempre bom sentir-se vivo. sempre será.

About rennrad

It's all about two wheels, being them bicycles or motorcycles.
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3 Responses to black diamond

  1. Érika S. says:

    Kokoro, eu gostei demais desse post. Como eu disse, as palavras vieram da alma. Espero que você se sinta vivo, sempre, inclusive pedalando (aliás, seria muito bom se você fizesse isso mais vezes!)… :*

  2. Pingback: commuting by bike | Life on two wheels…

  3. Jack says:

    Hey there! I’ve been following your website for some time now and finally got the courage
    to go ahead and give you a shout out from Houston Tx!
    Just wanted to say keep up the great job!

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