um sorriso largo…

por conta de uma incompatibilidade de horários e/ou conflito de agenda, chegamos à conclusão de que o melhor seria trocar o que iria acontecer no sábado pela manhã para o domingo à noite. é verdade que eu estava um pouco cansado do girinho dado horas antes – o finzinho da manhã e parte da tarde haviam sido dedicados à rodovia e a um encontro com outros colegas de causa (detalhe para a chuva monumental que se aplacou sobre Oz e Barueri, quando já estava no caminho de volta pra casa, e não bastasse, ainda errei a meleca do trajeto, e por conta disso tive de dar quase meia volta ao mundo pra corrigir a mancada) -, e meio passado também, talvez por uma tímida falta de açúcar, coisa prontamente resolvida com um copo de toddy (reminiscências de infância?). a chuva – que não só lavou a alma, como também minha cueca – nem foi tanto o problema, mas sim os raios – e eu caçando desesperadamente um abrigo -: quando enfim corrijo meu erro eu encontro um viaduto, onde já se via parado outro colega igualmente esperando a coisa melhorar para seguir viagem. (nota: me impressiona a falta de informação das pessoas.. um camarada numa shadow, aguardando uma trégua da chuva, insistia em dizer que os pneus da moto serviriam de isolamento, assim não haveria problema em circular com aquela saraivada de raios… ah, se faraday soubesse disso!)

com a alma lavada, cueca ensopada, calça encharcada e jaqueta pingando, encaramos o restante de asfalto que faltava, para constatar que as imediações de mi morada não haviam visto qualquer gota de água. pior: havia sol! isso não foi legal.:P mas… faz parte de quem inventa essa moda.

enquanto me livro da tralha encharcada ao mesmo tempo que espero por ela, mato o tempo acompanhando partidas de futebol da bola oval (titans vs chiefs e [go] broncos vs patriots). eis que o telefone toca, e eu começo a me arrumar para o evento que havíamos programado. ela, ansiedade misturada com excitação. eu, preocupação – afinal, 2 up é sempre uma coisa de responsabilidade em dobro: acho que jamais me perdoarei se uma coisa vier a acontecer com quem quer seja andando comigo.

vestes postas, viseira (enfim) limpa, elevador, itens de segurança, briefing passado, montaria, partida. primeiro mini-desafio foi a ladeirinha para pegar o eje central: sozinho eu acho essa jogada freio traseiro-embreagem-acelerador meio catchy, mas ontem não tive surpresas. semáforos que vêm, asfalto e carros que vão, e um ás no volante (cacófato intencional, porque só isso poderia definir o nobilíssimo mautorista), para que não saíssemos incólumes de nossa jornada.

passado o susto, entramos na via que, se não é o cartão postal da cidade, com certeza é um de seus principais marcos. carros, carros, carros, gentes na calçada – vida, não? -, mais semáforos, calor, ventoinha do radiador acionada por quase todo o trajeto. e ela? mais adiante, quando paramos para jantar, ela me diz que a imagem do gizmo no carrinho, perambulando pelo centro de compras, era tão somente um arranhão na superfície da coisa, heheh. luzes de natal; módicas, frise-se, algumas bem inhazinhas, outras bem legais, e com o tour por essa via feito, voltamos ao eje central para terminar o passeio.

avistamos um restaurante, e como eu falara sobre o remorso que me dá quando almoço um lanche, paramos para que eu pudesse de fato comer. pergunto-lhe se está tudo bem (na verdade essa pergunta foi feita por diversas vezes ao longo do caminho), e minha recompensa é ver um sorriso largo quase sem precedentes. [só ela pra dizer se aquela era uma espécie de alegria pueril. assim me parecia. ;)] e eu? contente por vê-la contente, e tranquilo por saber que até então minha missão (em tempo: a missão de qualquer um que se preste a conduzir uma moto, estando com garupa, é a de fazer com que a vida de seu passageiro seja a menos traumática possível) estava indo no caminho certo.

conta paga, bucho cheio, mais uma vez paramentados e listos para a perna final do passeio. dali até o QG não era muita coisa, mas como comentei hoje, os 3-4 km finais, em particular voltando-se para casa, são os mais críticos (“anything can happen…“) – a atenção tem de ser redobrada.

eis que chegamos, sãos e salvos. abraços, beijos e sorrisos. aliás, difícil esquecer o tamanho desses sorrisos. ainda bem que tenho meu amigo 🎃 para me lembrar disso…

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It's all about two wheels, being them bicycles or motorcycles.
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One Response to um sorriso largo…

  1. Érika S. says:

    Como não amar uma postagem como essa? Como não suar os olhos? Sim, uma parte do sorriso era pueril, mas a outra parte era adulta e completamente consciente de tudo que estava vivenciando… :***

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