1040 km

NOTE: this post went public on 22.05.2017. due to some misterious reasons (either i deleted it while tweaking wp mobile app while asleep or someone else with my password logged in and removed the post. anyway, here it goes again.


the longest distance I’ve ridden so far in one day. after the 5th hour on the saddle everything starts to ache: knees, backs, feet, hands… I installed a windscreen and that is an enormous plus, otherwise I would arrive waaaaay more tired due to buffeting.

i was about to start writing in english, aber ich bin sehr müde e vou continuar em português mesmo. :-P

muito se fala sobre viajar de moto: que é lindo, que é maravilhoso, a sensação de liberdade, de vento na cara – e a hd se apoderou disso, dizendo que essas coisas acontecem somente quando se está em uma harley quando na verdade qualquer atividade ao ar livre que envolva movimento (caminhada, patinação, bicicleta) promove os mesmos sentimentos – mas na verdade tudo é dor; ou melhor, gerenciamento da dor.

tudo é dor
e toda dor vem do desejo
de não sentirmos dor…

depois de 4-5 horas sentado, tudo incomoda. mãos, pés, costas, bunda, pescoço… é um verdadeiro festival de dores e incômodos – e isso é um aspecto que ninguém comenta, dado que só se lê relato de sucesso. ainda tem o calor e os quilos de roupa para uma manhã fria e a pouca ou nenhuma serventia para essa tranqueira ao longo da tarde.

some-se a isso a pouca capacidade de carga e o fato de que se está exposto a tudo, fora a vulnerabilidade, naturalmente. e aí você me pergunta:

– se é essa merda toda que você descreve, qual é o barato então?

a cidade estressa, enerva, descompensa, te tira de esquadro. ainda mais quando ela é repleta de superlativos absolutos analíticos: carros demais, gente demais, trânsito demais, cruzamentos demais, sinais demais, radares demais, violência institucional demais (e aqui eu abro literalmente um parêntese pra dizer que isso na verdade é um mal do estado e sua burocracia, em todas suas instituições e esferas governamentais), delitos demais, tudo demais.

(não bastasse essa situação excessiva, ainda tem essa coisa meio megalomaníaca de os habitantes da rzeczpospolita do bananistão acharem que tudo que se faz ou se constrói aqui tem de ser o maior da américa central e do sul…)

mas voltando da digressão… o cansaço que a cidade promove e o lazer alienado que o dia a dia proporciona fazem com que andar de moto por suas ruas esteja longe de ser uma atividade prazerosa. uma vez havia eu comentado com ela, que diz que eu me recuso a usar o termo meditação, que andar de moto é um troço curioso porque em cima dela você tem a incrível capacidade de se desconectar um pouco da realidade tediosa da vida adulta e se religar ao que lhe circunda (e não só, mas também fazer o extenuante e constante exercício de prever o imprevisível), e manter o /dev/brain única e exclusivamente dedicado a isso. se isso é meditação, so be it. :D o problema é que na cidade – e em particular em uma onde meu maior ofensor curiosamente é meu colega de causa – isso é estafante; diria mais: estressante, a ponto de quase desestimular.

é nesse momento que a rodovia se apresenta como alternativa. não que a gama de perigos deixe de existir: na verdade eles só mudam de contexto – afinal, onde quer que estejamos, sempre haverá idiotas. mas na rodovia você pode se deter um pouco mais na física e na matemática da coisa (contra-esterço! contra-esterço! contra-esterço!), sem se ocupar muito com o prego que tem pouco ou nenhum respeito pelo próximo e fica a te cortar de tudo que é jeito.

e meses atrás eu falava sobre andar à noite na rodovia: parte desses 1000 e tantos quilômetros foi feita à noite… nessa hora você percebe que a paisagem na verdade é um elemento de distração. para quem viu – o fumadíssimoa estrada perdida, a seqüência (sim! tremas!) inicial do filme ilustra bem o que significa isso: rodovia, tinta e um feixe de luz. e só. (claro: menção honrosa ao céu super estrelado, coisa que o progresso (?) matou, com sua poluição luminosa.)

amanhã serão outros 1000+ km. e em julho outros 2 mil. e como canta a anneke van giersbergen (com uma tímida mudança):

i trust to speed
until i have no need
to ride anymore
miles… and miles i ride

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About rennrad

It's all about two wheels, being them bicycles or motorcycles.
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