listas descompromissadas #2

algum tempo atrás (11 meses e alguns dias, pra ser menos vago) eu subia um vídeo que marcaria o início de uma série de vídeos sobre listas as mais variadas: músicas, discos, bandas, livros… abaixo o vídeo:

a intenção era fazer um versão mais “relaxada” do esporte #1 do personagem de alta fidelidade: fazer listas com os 5 mais. como o mote do filme/livro é música – na verdade essa é a motivação do autor: nick hornby -, as listas versam em 99,9% das vezes sobre músicas.

música sempre foi uma constante em minha vida, desde que me entendo por gente. a começar pelos disquinhos da coleção taba:

ao mesmo tempo que ouvia (com meus pais, por tabela) os discos da coleção mestres da música popular brasileira:

a pré-adolescência veio e com ela algumas bandas que surgiram na cidade em que nasci (e de lá para o sucesso na rzeczpospolita do bananistão). legião urbana, plebe rude, picassos falsos, camisa de vênus, ultraje a rigor, biquini cavadão, hanói hanói, titãs, joão penca, leo jaime, zero, kiko zambianchi, rpm (eu tinha em k7 o “rpm ao vivo”)… lembro-me de gostar bastante de uma faixa do milton nascimento com o rpm: feito nós. outra parceria legal foi a do zero com o rpm cantando agora eu sei. nessa época eu ouvia rádio – old times – e ficava tremendamente fulo da vida quando o locutor não deixava as faixas terminarem, e começava a falar em cima delas: eu tô gravando a música, seu cabeçudo! nada pior do que ter a voz do zé mané no meio da faixa! vinheta da rádio também era outro tormento.

no fim dos 80 e meados dos 90 lembro-me de lisa stansfield (“all around the world“), suzane vega (“my name is luka“), technotronic (“pump up the jam” – essa faixa tem uma particularidade: como não ficava clara a dicção dos cantores e o povo não manjava lá muito bem inglês, a letra ficava “yo! pump the jam! poperô…” e essa expressão cunhou tudo que veio de pop e ruim heheh! “e esse poperô palhoça aí?”), 49rs (“touch me“), bg the prince of rap (“this beat is hot“), klf (“3 am eternal“), snap (“i got the power“), m/a/r/r/s (“pump up the volume” – sempre achei e continuo achando essa música foda bragarái! um clássico!), c+c music factory (“gonna make you sweat“, “things that make you go hmmm“), mc hammer (“can’t touch this“). rolava uma parada de funk melody também, mas agora os nomes me fogem – lembrei-me de um: stevie b. esse último não era necessariamente minha praia, mas fazia sucesso.

nesse meio tempo aparece meu tio com pink floyd – the wall. vimos o vídeo, e lembro-me de ter ficado bem comovido com o troço. venhamos: tal comoção não é difícil ainda mais quando estamos falando de um guri de 13 anos de idade. toda aquela coisa de isolamento, muro, incompreensão, blablablabla… cai como uma luva para qualquer adolescente. (o lance com pink floyd: roger waters pra mim era a alma da banda. sua saída quando do momentary lapse of reason faz com que o pink da ocasião (e o que segue até hoje) tenha sido e ainda seja a melhor banda cover de pink floyd que possa existir. waters perdeu seu pai na 1a guerra “mundial” européia, e isso fez com que ele começasse uma espécie de campanha anti-belicista, que toma mais expressão no disco mais carregado da banda – the final cut. é um disco muito bom, porém complicado, e arrastado, carregado emocionalmente.

Brezhnev took Afghanistan.
Begin took Beirut.
Galtieri took the Union Jack.
And Maggie, over lunch one day,
Took a cruiser with all hands.
Apparently, to make him give it back

em 91 eu conheci o barriga (amizade que continua até hoje), o qual me apresentou ao mundo do metal. metallica, sepultura, napalm death, entre outros nomes. 26 anos se passaram e ainda hoje eu escuto algumas coisas que vão entre o hard rock e o splatter, mas vou confessar que ando com pouco saco para barulheira. tenho uma lista entitulada “metal” no spotify e quem disse que eu consigo aturar morbid angel hoje em dia? pete “commando” sandoval é um monstro na bateria, mas agora é tudo barulho nonsense (com exceção de algumas faixas: god of emptiness, where the slime live, dawn of the angry, desolate ways, e uma ou outra mais). acho sinceramente que eu dificilmente teria mexido com death/thrash metal, se tivesse sido apresentado ao heavy metal/hard rock. dias atrás eu estava a ouvir uma “rádio” no spotify baseada em uriah heep. vários sucessos da banda e além deles, coisas do deep purple, judas priest, camel, lynrd skynrd… como comentei antes, eu acho que teria ficado com esses caras se não tivessem vindo com o bruto do metal. :P

entre 97 e 99-2000 o grupo de amizades se expandia e com isso os horizontes musicais se expandiam – curiosamente o mundo da música eletrônica (e estilos correlatos) voltava a se apresentar, mas dessa vez com novos nomes: massive attack[1], portishead[1], tricky[1], orbital, underworld, µ-Ziq, aphex twin, leftfield, chemical brothers, future sound of london, sneaker pimps[1], amorphus androginous, amon tobin/cujo (brazuca, aliás), squarepusher, sven väth, autechre, björk, ltj bukem, talvin singh, unkle[1], primal scream, gus gus, dj shadow (você que me lê tem de ouvir “in/flux“: che spettacolo!), fila brazillia (o remix trip-hop deles para “climbing up the walls” do radiohead é de chorar!), kruder & dorfmeister, tosca, thievery corporation…

também conheci coisas como sigur rós, mogwai, {gy!be} (“antennas to heaven“, “the dead flag blues“, “motherfucker = redeemer” são excelentes!), e a reboque vieram outros grupos de post-rock como mono (“l’america“), explosions in the sky, a silver mount zion, tortoise (desse último eu recomendo os discos “trts“, “standards“, “tnt” e até mesmo o “millions now living will never die“, que apesar de um pouco experimental, lança bases para o que vem depois – como o “beacons of ancestorship“).

nisso eu acabei re/visitando coisas que conhecia quando moleque: depeche mode! – minha última ida a manaus ainda no séc. XX havia sido em 89 se não me falha e na época em que eles lançavam o “music for the masses“, com a faixa de trabalho “strangelove” sendo apresentada no mtv awards daquele ano. tempos depois eles lançariam o “violator“, com clássicos como “enjoy the silence” e “policy of truth“. mais tarde deparei-me com um dois discos mais expressivos da banda: “ultra“.

de quando em vez eu me punha a escutar uma rádio chamada bassdrive – nela só rola drum ‘n bass em suas mais variadas linhas: liquid funk, jungle, neuro funk, techstep, dnb… duas faixas dignas de menção: o remix de “lady” (rowpieces bootleg) e “the view“, por drs. foi uma dificuldade tremenda para encontrar o artista “dono” da última faixa. mas às vezes o G do mal e o YT ajudam, e nisso eu achei o vídeo. daí para o spotify foi um pulo.

e graças a essa faixa eu conheci o estilo liquid funk e caras como lsb, nelver, technimatic, spectrasoul, bcee, e mais um bando de gente. esses caras estão servindo de influência para o projeto trx-01: parte do trabalho pode ser conferida aqui.

(como disse no início da entrada: música sempre foi uma constante. e esse é um assunto que sempre me agrada: se deixar, fico por horas nisso :P. falava com ela que há uma semelhança muito grande entre livros e músicas: ambos contam histórias. a diferença reside na duração delas. ;)

notas:
algumas dessas bandas aparecem mencionadas no vídeo dessa postagem.
conheci explosions in the sky por intermédio de uma banda do sul chamada blanched

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