spin-offs

it’s been a while since my last post… and it’s funny to write in my own language and about something i like ve*ry (if you deal with programming, the * is an operator called kleene star operator) much: music.

in my last post i talked about a documentary related to electronic music. it was shot in the late 90s, and brought many names which are still active these days: squarepusher, autechre, fsol – to name a few.

“nice! and what does that have to do with spin-off?”, one might ask. music is the driver, and this is the answer: zahnkranz is getting “forked”: meet the noise maker trx-01 and part of his production. below, a clip recorded recently.

in a few days i will be uploading another song. stay tuned! :)

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modulations – cinema for the ear (ou listas descompromissadas #3)

1999. naquele ano orbital, crystal method (e aqui eu tenho de dizer que rolou uma era geológica até que eu sacasse que o nome da banda se referia à droga metanfetamina – valeu, breaking bad! se não fossem vocês, eu teria continuado na escuridão!) e darren emerson (dj do grupo underworld) desciam a serra para a edição do free jazz festival daquele ano. (pergunta: você não acha curioso que um festival que traz jazz em seu nome tenha uma seção com música eletrônica? hoje em dia o mesmo se passa com o rock in rio – na verdade acho que com esse o problema consegue ser ainda maior, dado que o festival chegou a mudar de casa, tendo passado umas temporadas em lisboa! oi?)

underworld lançava beaucoup fish, enquanto orbital jogava nas pistas the middle of nowhere. moby havia lançado play (esse último e o primeiro cds passaram a fazer parte de minha pequena coleção somente alguns anos depois, ao passo que descolei o the middle of nowhere tão logo tivesse voltado da apresentação da dupla no free jazz). lembro-me de ter comentado com os amigos que acabavam de aumentar o círculo de amizades sobre um álbum do moby, lançado anos antes (agora o nome do disco me foge, mas tenho pra mim que era i like to score) e eles foram uníssonos: “poperô total! larga mão!” (lembra-se da expressão na postagem anterior?) é… não rolou! heheh :D

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voltando ao free jazz… esse povo e eu decidimos ir até gotham city para conferir o festival. 14 horas de ônibus depois e lá estávamos. aqui eu faço uma pausa para relatar algumas sensações curiosas:

  • a de familiaridade com a cidade. pode ser um troço totalmente nada a ver, mas acontecia. talvez isso se explique pelo fato de que eu tenha parentes morando lá, e tê-los visitado em outras ocasiões tenha me causado isso.
  • o fato de gostar de andar de metrô. isso me leva a uma reflexão do tipo “metrô é sinônimo de progresso/modernidade” – mesma reflexão que faço quando olho para vias elevadas e pontes. é verdade que elas enfeiam o que está embaixo e e também a vizinhança, mas não deixam de ter, para mim, esse aspecto.

a saída se deu numa sexta às 18h, com chegada no dia seguinte, às 8h. viagem tranquila, sem maiores problemas (viagem que fiz recentemente, de moto). sábado para roletar no centro, pça da república, largo do arouche, galeria do rock… programa típico de quem gosta de música e toma gotham como meca da parada. (essa coisa de gotham ser a “meca da parada” tem raízes históricas, mas um aspecto interessante pode ser conferido nesse vídeo.)

show no jóquei, bacana, gente pra caramba, pulos a torto e a direito, cansaço, táxi pra volta, domingo na liberdade com direito a yakisoba, tietê, ônibus, roncos, rodoferroviária, táxi pra casa. fim. :P foi um fim de semana bem interessante, e essa foi a 1a vez que saí do quadradinho (aka BSB) para assistir a uma apresentação em outra cidade. (a segunda ocasião[1] vai acontecer em maio de 2002, quando do festival eletrônika, em bh – curiosamente, com o mesmo grupo da ocasião anterior, a menos do electron shaper. (pfff… haha!))

tá ok… onde é que o documentário que dá nome à postagem entra como tema? agora! em 1998 uma cineasta/documentarista brasileira (para minha surpresa, pois não havia visto nada sobre a produção) iara lee lança modulations – cinema for the ear. o documentário faz um breve apanhado histórico da música eletrônica, trazendo nomes conhecidos como photek, carl cox, squarepusher, afrika bambaataa, don scott, ed rush, future sound of london, autechre, ltj bukemrobert moog, talvin singh, john cage[2], karlheinz stockhauser, sendo esses dois últimos figuras extremamente importantes na música eletrônica (vide esse infográfico – que daria um excelente quadro, diga-se de passagem). aparece também leon theremin executando um dos instrumentos mais curiosos da face da terra: o theremin. em uma apresentação de música eletroacústica no teatro nacional – aliás, acho que todos deveriam ver pelo menos uma vez na vida uma apresentação de música eletroacústica: tão esquisito um concerto para fita magnética e orquestra! – eu vi um concerto para theremin e orquestra. imaginem que insólito o músico tirando som do instrumento sem tocar nele. coisa do demo! o_O (nah… a física explica: é um circuito LC, como o que aparece no infográfico do endereço acima.)

eu fui ao teatro para ver várias obras do gênero. devo confessar que foi um choque. desconcertante é um dos adjetivos que a gente poderia usar para o evento. entretanto as duas versões que seguem (crazy [gnarls barkley] e something about us [daft punk]) mostram claramente que o choque que o theremin na música eletroacústica propicia pode se tornar uma experiência muito divertida, ou pelo menos curiosa.

em um trecho do documentário comenta-se sobre o surgimento do drum ‘n bass: ele teria sido uma espécie de resposta britânica ao hip-hop ianque. o legal é que esse fato me traz à mente duas coisas

  • de fato uma batida tradicional de hip-hop pode evoluir para um drum n’ bass/jungle/liquid sem muitas complicações, e;
  • consigo ver uma relação entre o drum n’ bass e o samba, como ficou evidente na releitura de cotidiano (repare a 2a estrofe da letra).

um ponto baixo do filme é a entrevista do duo fsol, a começar pelo fato de que os caras parecem ser gagos de idéias (há dois tipos de gagos: o de palavras, que são aqueles com que estamos acostumados, e os de idéias – esses não conseguem elaborar um raciocínio e dar continuidade nele, e aí a conversa fica truncada e lacônica), e isso atrapalha por completo o processo. pra completar, no meio da entrevista um deles se enche de raiva e fala:

you are not understanding!…

(call disconnected…)

velho… se o conceito é complexo e o receptor aparenta não estar entendendo, ou o referente é desconhecido do mesmo, ou o emissor se utiliza de vocabulário rebuscado, truncando por conseguinte a mensagem ou as duas coisas. resta então a quem está explicando um maior cuidado para que sua platéia não fique a ver navios, e não essa atitude meio… pueril.

e quando rola essa discussão ontológica sobre o drum n’ bass, também me vem à cabeça uma observação sobre as distinções entre o que se produz nos eeuu e o que vem da europa. enquanto o material ianque costuma ter um fortíssimo apelo comercial, o que rola na europa parece prescindir disso, como se essa busca pelo vendável fosse algo secundário. a título de comparação: a nwobhm vs glam rock – que fique claro: não há anacronismo, posto que o glam veio logo após a nwobhm, e sinceramente, mil vezes a new wave, porque ninguém merece aqueles cabelos de poodle como os dos caras do twisted sister (porra mano… todos eles usavam essa parada assim! van halen, poison, mötley crue, whitesnake, bon jovi, e até mesmo os caras do pantera – vide fotos da época do cemetery gates! que derrota!). ah, os anos 80… vergonha alheia.

voltando… tomemos por exemplo os caras do kraftwerk: autobahn, trans-europa express[3] e radio-aktivität[3] por exemplo são discos que em hipótese alguma podem ser chamados de comerciais (claro que hoje o grupo é tremendamente famoso, mas Morgenspazierengang jamais poderá ser considerada uma música comercial).

fato: documentários sobre música são sempre interessantes. esse é mais um deles, o qual merece maior atenção – a qualidade do vídeo não ajudou muito, porque provavelmente foi “ripado” de vhs -, tanto que estou a fim de arrumar uma mídia pra mim. (o nome até consta no catálogo do netflix, mas por alguma razão mística essa meleca só aparece lá fora…)

notas:
[1]: mogwai iniciou a noite, e até então eles haviam lançado os seguintes discos: ten rapid (coletânea), young team, 4 satin (a versão britânica traz quiet stereo dee, que eu acho mais legal do que stereo dee), o felicíssimo (#sqn) come on die young, e o rock action – lembro-me de ter desgostado profundamente desse disco quando de seu lançamento, mas mudei completamente de opinião após ver a banda tocando as faixas ao vivo (dial: revenge – super bonita – é cantada em gaélico, e close encounters foi usada como trilha sonora em um dos episódios de sex and the city, quando carrie e aidan terminam). depois veio olaf hund, fazendo música no estilo deep house – mandou benzaço, diga-se -, enquanto uma moça (sua irmã?) ficava nas estripulias com sua corda indiana. por fim tocou o kid loco, mas aí ninguém se interessou e ficamos do lado de fora conversando. vale a pena mencionar o fato de que nas duas apresentações que vi dos caras do mogwai, eles terminaram da mesma maneira: uma zoada infinda e alta pra cacete no tablado, com os instrumentos “se tocando”, e os membros da banda saindo de cena, até que alguns minutos depois a mesa corta a energia do palco e fim. oi? bacana foi o testemunho de uma moça, totalmente extasiada, falando com seu companheiro de evento: “não preciso de mais nada hoje! :D :D” pra mim o ápice da apresentação foi quando tocaram new paths to helicon p. i – velho… WTF was that?!?!?! o_O lindo! de chorar, sem sacanagem!
[2]: 4’33”, de john cage. deixe sua opinião após ver a peça. para você: ela é música? ;)
[3]: stick to the originals – ou seja, ouça as faixas em alemão, já que há versões em inglês para esses discos. mil vezes ouvir (Spiegelsaal)

Sogar die grössten Stars
Leben ihr Leben im Spiegelglas

do que a sonolenta versão no idioma bretão.

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listas descompromissadas #2

algum tempo atrás (11 meses e alguns dias, pra ser menos vago) eu subia um vídeo que marcaria o início de uma série de vídeos sobre listas as mais variadas: músicas, discos, bandas, livros… abaixo o vídeo:

a intenção era fazer um versão mais “relaxada” do esporte #1 do personagem de alta fidelidade: fazer listas com os 5 mais. como o mote do filme/livro é música – na verdade essa é a motivação do autor: nick hornby -, as listas versam em 99,9% das vezes sobre músicas.

música sempre foi uma constante em minha vida, desde que me entendo por gente. a começar pelos disquinhos da coleção taba:

ao mesmo tempo que ouvia (com meus pais, por tabela) os discos da coleção mestres da música popular brasileira:

a pré-adolescência veio e com ela algumas bandas que surgiram na cidade em que nasci (e de lá para o sucesso na rzeczpospolita do bananistão). legião urbana, plebe rude, picassos falsos, camisa de vênus, ultraje a rigor, biquini cavadão, hanói hanói, titãs, joão penca, leo jaime, zero, kiko zambianchi, rpm (eu tinha em k7 o “rpm ao vivo”)… lembro-me de gostar bastante de uma faixa do milton nascimento com o rpm: feito nós. outra parceria legal foi a do zero com o rpm cantando agora eu sei. nessa época eu ouvia rádio – old times – e ficava tremendamente fulo da vida quando o locutor não deixava as faixas terminarem, e começava a falar em cima delas: eu tô gravando a música, seu cabeçudo! nada pior do que ter a voz do zé mané no meio da faixa! vinheta da rádio também era outro tormento.

no fim dos 80 e meados dos 90 lembro-me de lisa stansfield (“all around the world“), suzane vega (“my name is luka“), technotronic (“pump up the jam” – essa faixa tem uma particularidade: como não ficava clara a dicção dos cantores e o povo não manjava lá muito bem inglês, a letra ficava “yo! pump the jam! poperô…” e essa expressão cunhou tudo que veio de pop e ruim heheh! “e esse poperô palhoça aí?”), 49rs (“touch me“), bg the prince of rap (“this beat is hot“), klf (“3 am eternal“), snap (“i got the power“), m/a/r/r/s (“pump up the volume” – sempre achei e continuo achando essa música foda bragarái! um clássico!), c+c music factory (“gonna make you sweat“, “things that make you go hmmm“), mc hammer (“can’t touch this“). rolava uma parada de funk melody também, mas agora os nomes me fogem – lembrei-me de um: stevie b. esse último não era necessariamente minha praia, mas fazia sucesso.

nesse meio tempo aparece meu tio com pink floyd – the wall. vimos o vídeo, e lembro-me de ter ficado bem comovido com o troço. venhamos: tal comoção não é difícil ainda mais quando estamos falando de um guri de 13 anos de idade. toda aquela coisa de isolamento, muro, incompreensão, blablablabla… cai como uma luva para qualquer adolescente. (o lance com pink floyd: roger waters pra mim era a alma da banda. sua saída quando do momentary lapse of reason faz com que o pink da ocasião (e o que segue até hoje) tenha sido e ainda seja a melhor banda cover de pink floyd que possa existir. waters perdeu seu pai na 1a guerra “mundial” européia, e isso fez com que ele começasse uma espécie de campanha anti-belicista, que toma mais expressão no disco mais carregado da banda – the final cut. é um disco muito bom, porém complicado, e arrastado, carregado emocionalmente.

Brezhnev took Afghanistan.
Begin took Beirut.
Galtieri took the Union Jack.
And Maggie, over lunch one day,
Took a cruiser with all hands.
Apparently, to make him give it back

em 91 eu conheci o barriga (amizade que continua até hoje), o qual me apresentou ao mundo do metal. metallica, sepultura, napalm death, entre outros nomes. 26 anos se passaram e ainda hoje eu escuto algumas coisas que vão entre o hard rock e o splatter, mas vou confessar que ando com pouco saco para barulheira. tenho uma lista entitulada “metal” no spotify e quem disse que eu consigo aturar morbid angel hoje em dia? pete “commando” sandoval é um monstro na bateria, mas agora é tudo barulho nonsense (com exceção de algumas faixas: god of emptiness, where the slime live, dawn of the angry, desolate ways, e uma ou outra mais). acho sinceramente que eu dificilmente teria mexido com death/thrash metal, se tivesse sido apresentado ao heavy metal/hard rock. dias atrás eu estava a ouvir uma “rádio” no spotify baseada em uriah heep. vários sucessos da banda e além deles, coisas do deep purple, judas priest, camel, lynrd skynrd… como comentei antes, eu acho que teria ficado com esses caras se não tivessem vindo com o bruto do metal. :P

entre 97 e 99-2000 o grupo de amizades se expandia e com isso os horizontes musicais se expandiam – curiosamente o mundo da música eletrônica (e estilos correlatos) voltava a se apresentar, mas dessa vez com novos nomes: massive attack[1], portishead[1], tricky[1], orbital, underworld, µ-Ziq, aphex twin, leftfield, chemical brothers, future sound of london, sneaker pimps[1], amorphus androginous, amon tobin/cujo (brazuca, aliás), squarepusher, sven väth, autechre, björk, ltj bukem, talvin singh, unkle[1], primal scream, gus gus, dj shadow (você que me lê tem de ouvir “in/flux“: che spettacolo!), fila brazillia (o remix trip-hop deles para “climbing up the walls” do radiohead é de chorar!), kruder & dorfmeister, tosca, thievery corporation…

também conheci coisas como sigur rós, mogwai, {gy!be} (“antennas to heaven“, “the dead flag blues“, “motherfucker = redeemer” são excelentes!), e a reboque vieram outros grupos de post-rock como mono (“l’america“), explosions in the sky, a silver mount zion, tortoise (desse último eu recomendo os discos “trts“, “standards“, “tnt” e até mesmo o “millions now living will never die“, que apesar de um pouco experimental, lança bases para o que vem depois – como o “beacons of ancestorship“).

nisso eu acabei re/visitando coisas que conhecia quando moleque: depeche mode! – minha última ida a manaus ainda no séc. XX havia sido em 89 se não me falha e na época em que eles lançavam o “music for the masses“, com a faixa de trabalho “strangelove” sendo apresentada no mtv awards daquele ano. tempos depois eles lançariam o “violator“, com clássicos como “enjoy the silence” e “policy of truth“. mais tarde deparei-me com um dois discos mais expressivos da banda: “ultra“.

de quando em vez eu me punha a escutar uma rádio chamada bassdrive – nela só rola drum ‘n bass em suas mais variadas linhas: liquid funk, jungle, neuro funk, techstep, dnb… duas faixas dignas de menção: o remix de “lady” (rowpieces bootleg) e “the view“, por drs. foi uma dificuldade tremenda para encontrar o artista “dono” da última faixa. mas às vezes o G do mal e o YT ajudam, e nisso eu achei o vídeo. daí para o spotify foi um pulo.

e graças a essa faixa eu conheci o estilo liquid funk e caras como lsb, nelver, technimatic, spectrasoul, bcee, e mais um bando de gente. esses caras estão servindo de influência para o projeto trx-01: parte do trabalho pode ser conferida aqui.

(como disse no início da entrada: música sempre foi uma constante. e esse é um assunto que sempre me agrada: se deixar, fico por horas nisso :P. falava com ela que há uma semelhança muito grande entre livros e músicas: ambos contam histórias. a diferença reside na duração delas. ;)

notas:
algumas dessas bandas aparecem mencionadas no vídeo dessa postagem.
conheci explosions in the sky por intermédio de uma banda do sul chamada blanched

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faded away in the mist

funny thing happened today… i came to check the stats – just for curiosity: it is interesting to see where people come from and stop by – and noticed that my latest entry (from 22.05, in which i talk about my relationship with long-distance rides and what’s behind them) simply vanished. nope, i haven’t accidentaly deleted it. now i have to rely on wp’s backup system to recover that post, because in no circumstances i will be able to write it again as it was… :|

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1040 km

NOTE: this post went public on 22.05.2017. due to some misterious reasons (either i deleted it while tweaking wp mobile app while asleep or someone else with my password logged in and removed the post. anyway, here it goes again.


the longest distance I’ve ridden so far in one day. after the 5th hour on the saddle everything starts to ache: knees, backs, feet, hands… I installed a windscreen and that is an enormous plus, otherwise I would arrive waaaaay more tired due to buffeting.

i was about to start writing in english, aber ich bin sehr müde e vou continuar em português mesmo. :-P

muito se fala sobre viajar de moto: que é lindo, que é maravilhoso, a sensação de liberdade, de vento na cara – e a hd se apoderou disso, dizendo que essas coisas acontecem somente quando se está em uma harley quando na verdade qualquer atividade ao ar livre que envolva movimento (caminhada, patinação, bicicleta) promove os mesmos sentimentos – mas na verdade tudo é dor; ou melhor, gerenciamento da dor.

tudo é dor
e toda dor vem do desejo
de não sentirmos dor…

depois de 4-5 horas sentado, tudo incomoda. mãos, pés, costas, bunda, pescoço… é um verdadeiro festival de dores e incômodos – e isso é um aspecto que ninguém comenta, dado que só se lê relato de sucesso. ainda tem o calor e os quilos de roupa para uma manhã fria e a pouca ou nenhuma serventia para essa tranqueira ao longo da tarde.

some-se a isso a pouca capacidade de carga e o fato de que se está exposto a tudo, fora a vulnerabilidade, naturalmente. e aí você me pergunta:

– se é essa merda toda que você descreve, qual é o barato então?

a cidade estressa, enerva, descompensa, te tira de esquadro. ainda mais quando ela é repleta de superlativos absolutos analíticos: carros demais, gente demais, trânsito demais, cruzamentos demais, sinais demais, radares demais, violência institucional demais (e aqui eu abro literalmente um parêntese pra dizer que isso na verdade é um mal do estado e sua burocracia, em todas suas instituições e esferas governamentais), delitos demais, tudo demais.

(não bastasse essa situação excessiva, ainda tem essa coisa meio megalomaníaca de os habitantes da rzeczpospolita do bananistão acharem que tudo que se faz ou se constrói aqui tem de ser o maior da américa central e do sul…)

mas voltando da digressão… o cansaço que a cidade promove e o lazer alienado que o dia a dia proporciona fazem com que andar de moto por suas ruas esteja longe de ser uma atividade prazerosa. uma vez havia eu comentado com ela, que diz que eu me recuso a usar o termo meditação, que andar de moto é um troço curioso porque em cima dela você tem a incrível capacidade de se desconectar um pouco da realidade tediosa da vida adulta e se religar ao que lhe circunda (e não só, mas também fazer o extenuante e constante exercício de prever o imprevisível), e manter o /dev/brain única e exclusivamente dedicado a isso. se isso é meditação, so be it. :D o problema é que na cidade – e em particular em uma onde meu maior ofensor curiosamente é meu colega de causa – isso é estafante; diria mais: estressante, a ponto de quase desestimular.

é nesse momento que a rodovia se apresenta como alternativa. não que a gama de perigos deixe de existir: na verdade eles só mudam de contexto – afinal, onde quer que estejamos, sempre haverá idiotas. mas na rodovia você pode se deter um pouco mais na física e na matemática da coisa (contra-esterço! contra-esterço! contra-esterço!), sem se ocupar muito com o prego que tem pouco ou nenhum respeito pelo próximo e fica a te cortar de tudo que é jeito.

e meses atrás eu falava sobre andar à noite na rodovia: parte desses 1000 e tantos quilômetros foi feita à noite… nessa hora você percebe que a paisagem na verdade é um elemento de distração. para quem viu – o fumadíssimoa estrada perdida, a seqüência (sim! tremas!) inicial do filme ilustra bem o que significa isso: rodovia, tinta e um feixe de luz. e só. (claro: menção honrosa ao céu super estrelado, coisa que o progresso (?) matou, com sua poluição luminosa.)

amanhã serão outros 1000+ km. e em julho outros 2 mil. e como canta a anneke van giersbergen (com uma tímida mudança):

i trust to speed
until i have no need
to ride anymore
miles… and miles i ride

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i feel…

I’m seeing so clear
I thought I was never coming back
I’ve been down for awhile
and now I’m coming back…

anathema – feel

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online tests :D

a long ago i took an online test to discover how nerd i was… funny that i didn’t remember they offered a more comprehensive one! here are the findings! hahaha!


NerdTests.com says I'm a Kinda Dorky High Nerd. Click here to take the Nerd Test, get nerdy images and jokes, and talk to others on the nerd forum!

if the acronym BSG does make sense to you, i recomend you to take this test. :D

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